Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Os mais charmosos de Lisboa… de há 30 anos

Nos anos 80, as discotecas investiam muito na animação, tentando captar clientes ou mantê-los. E não havendo TV privada, jornais e revistas eram essenciais na promoção dos eventos, particularmente aqueles títulos, poucos, que escalavam jornalistas para cobrir o social – a informação dita cor de rosa, então já próspera na imprensa espanhola, tinha por cá na Nova Gente, semanal, e na Élan, mensal, os veículos mais interessados no fenómeno.

Um dos profissionais que se destacavam no sector era Luís Fernandes, o relações-públicas – hoje seria diretor de marketing… – do Cotton Club, que funcionava numa cave lisboeta, perto da Avenida de Roma. Uma das festas que o Luís organizava era a da atribuição de prémios aos Mais Charmosos da capital, grau com que fui anualmente distinguido, por certo como retribuição pela divulgação da cerimónia. A invocação de múltiplos afazeres foi-me poupando, até que não pude desculpar-me mais e, em 1990, recebi o troféu que guardo com algum receio que em casa alguém o descubra.

Não me senti só, pois Isaltino Morais, Manuela Sousa Rama, Lili Caneças, Sousa Cintra, Lena Coelho, Cristina Arvelos, as já desaparecidas Teresa Sachetti e Fátima Raposo ou Ricardo Tavares – sim, o atual coordenador-geral de Meios da Cofina, ah, pois é! – foram também apanhados no radar do charme. Parece que foi ontem? Não, o tempo passou mesmo, hoje não haveria quem ousasse.

Parece que foi ontem (última edição), Sábado, 10MAI18