Os irracionais

Gostava hoje de compartilhar convosco o desenvolvimento de uma teoria que já aqui trouxe: Cristiano Ronaldo não acabará no Real Madrid a sua carreira de futebolista. E de acrescentar umas linhas sobre a pobreza da versão 2015 do jogo dos merengues, em que ninguém luta pela recuperação da bola e ninguém cria linhas de passe na hora de atacar. Mas oportunidades não faltarão, o adeus de CR7 ao Bernabéu não é para já, o que me permite abordar o tema quente da semana – o corte de relações entre Sporting e Benfica.

Não vou aqui cair para um lado ou para outro, pois a razão está tão longe de Alvalade como da Luz. Nem sequer quero valorizar os últimos atos de selvajaria traduzidos em cartazes que envergonhariam qualquer desportista – se um desportista fosse capaz de os criar ou exibir. Porque esses são apenas os derradeiros exemplos da bestialidade constante, em décadas, no comportamento dos energúmenos que se disfarçam de “doentes” de um emblema ou de outro.

O que importa é condenar a cobertura, o apoio moral e material que sucessivas direções de águias e leões têm dado não só a claques entusiastas e empenhadas, a adeptos irredutíveis e apaixonados, mas também a escassas dezenas de marginais infiltrados que não controlam, e que veem nos recintos desportivos, e em especial nos estádios, o palco adequado a uma postura de violência, a práticas criminosas que sabem ter, em Portugal, fortes probabilidades de ficar impunes.

Cortar umas relações já de si infetadas – tanta tem sido a roupa suja lavada, tantos são os sinais de confronto e de baixo nível permanente – só faz inchar o ódio e a lei da selva. O homem distingue-se do macaco pelo cérebro mas não é por aí que fica incapaz de o bater em irracionalidade.

Canto direto, Record, 16FEV15

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