Os incompreensíveis assobios de Alvalade

 

Os assobios são como os aplausos: manifestações do sentimento popular que fazem parte do espetáculo. Por isso, todos os artistas, sejam atores, bailarinos ou futebolistas devem estar preparados para sentir o afeto do público como consequência da sua atuação, ou os apupos como sinal de desagrado pela prestação efetuada. Sempre assim foi e mal dos intérpretes quando, finda a função, os aguardar o silêncio.

Não me espanta por isso que os adeptos do Sporting, cansados de alguma inépcia ao longo deste ano, estejam à beira de que se lhes esgote a paciência. E a segunda parte do jogo de quinta-feira foi, de facto, dececionante.

O problema é que o leão está doente ou, se quisermos, em convalescença. Após a saída de Paulo Bento não têm faltado erros e apostas falhadas, tudo agravado por uma crise financeira de contornos perigosos e desfecho imprevisível.

Mas a entrada de Costinha e a escolha de Paulo Sérgio surgiram como que um abrandar do delírio, e a entrega dos problemas à capacidade e ao bom senso, o que é sempre um princípio animador. E o passo seguinte foi a recomposição de um plantel desequilibrado e a reconstrução de uma equipa destroçada, situação entretanto agravada com a partida de Moutinho e Veloso.

Apesar disso, o Sporting alcançou apenas um mau resultado na pré-época e parece ter acertado nas contratações de Evaldo, Valdés e Maniche. Este último voltou até, anteontem, ao registo de golos que fizeram história. Que mais precisam os sportinguistas para dar crédito e tempo ao trabalho em curso?

Nada, mas insistem em correr no sentido oposto ao da salvação. Caminhar para o abismo é muito próprio da nossa maneira de ser. Por que será?

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 7 agosto 2010

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