Os fracassados contra Lance Armstrong

 

A provável retirada das sete vitórias no Tour a Lance Armstrong é, talvez, a maior deceção que o desporto me proporciona desde a primeira vez que o Belenenses desceu de divisão, em 1982.


Nos últimos anos, têm-se repetido os casos de ciclistas que são apanhados nas malhas do doping, lançando a confusão sobre os adeptos que vibram com a modalidade mas que não conseguem libertar-se da dúvida: serão as vitórias de hoje anuladas amanhã?
Pessoalmente, não aceito qualquer tipo de batota na competição desportiva e acho que vale sempre a pena lutar pela verdade. Até porque na vida de todos os dias o combate aos batoteiros corre maiores riscos de insucesso, pois o seu poder é já imenso, como se sabe. São mais e provavelmente mais fortes.
Se num atleta, que conhece bem o que deve e o que não deve tomar, é detetado o uso de qualquer substância proibida, a consequência só pode ser a punição e a retirada dos benefícios colhidos através desse recurso ilegal. 
O problema é que Armstrong ganhou sete vezes e não uma, e foi escrutinado pelos “vampiros” em milhares de ocasiões, muitas delas nos locais mais inesperados e nas horas mais improváveis. Nunca foi apanhado. Nem sequer há dois ou três anos, quando correu duas voltas a França já perto dos 40, e quando poderia ser tentado a recorrer a umas… “ajudas”.
O campeoníssimo norte-americano é apenas condenado pela agência antidopagem do seu país porque alguns ex-“amigos”, que deixaram de precisar dele para ganhar a vidinha, aceitaram declarar – vá lá saber-se debaixo de que pressões e com o aceno de que bene$es – que o viram dopar-se! É esta forma de fazer justiça que me repugna, e mais nojo me mete que proezas inultrapassáveis, conseguidas no terreno com dor e abnegação, possam ser anuladas, no ar condicionado das secretarias, pelo ódio e pela fantasia. Derrotar um “imortal” através da condenação sem factos – eis a suprema glória dos fracassados. E um triste sinal do pobre Mundo em que vivemos.

A provável anulação das sete vitórias no Tour a Lance Armstrong é, talvez, a maior deceção que o desporto me proporciona desde a primeira vez que o Belenenses desceu de divisão, há 30 anos.

Nos últimos tempos, têm-se repetido os casos de ciclistas que são apanhados nas malhas do doping, lançando a confusão sobre os adeptos que vibram com a modalidade mas que não conseguem libertar-se da dúvida: serão as vitórias de hoje anuladas amanhã?

Pessoalmente, não aceito qualquer tipo de batota na competição desportiva e acho que vale sempre a pena lutar pela verdade. Até porque na vida de todos os dias o combate aos batoteiros corre maiores riscos de insucesso, pois o seu poder é já imenso, como se sabe. São mais e provavelmente mais fortes.

Se num atleta, que conhece bem o que deve e o que não deve tomar, é detetado o uso de qualquer substância proibida, a consequência só pode ser a punição e a retirada dos benefícios colhidos através desse recurso ilegal. 

O problema é que Armstrong ganhou sete vezes e não uma, e foi escrutinado pelos “vampiros” em milhares de ocasiões, muitas delas nos locais mais inesperados e nas horas mais improváveis. Nunca foi apanhado. Nem sequer há dois ou três anos, quando correu duas voltas a França já perto dos 40, e quando poderia ser tentado a recorrer a umas… “ajudas”.

O campeoníssimo norte-americano é apenas condenado pela agência antidopagem do seu país porque alguns ex-“amigos”, que deixaram de precisar dele para ganhar a vidinha, aceitaram declarar – vá lá saber-se debaixo de que pressões e com o aceno de que bene$$es – que o viram dopar-se!

É esta forma de fazer justiça que me repugna, e mais nojo me mete que proezas inultrapassáveis, conseguidas no terreno com dor e abnegação, possam ser anuladas, no ar condicionado das secretarias, pelo ódio, pela inveja e pela fantasia. Derrotar um “imortal” através da condenação sem factos – eis a suprema glória dos fracassados. E um triste sinal do pobre Mundo em que vivemos.

Canto direto, crónica publicada na edição impressa de Record de 25 agosto 2012

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