Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Os dois obstáculos de Manuela Moura Guedes

Três anos após as últimas aparições regulares em televisão, na RTP, Manuela Moura Guedes voltou na segunda-feira, no Jornal da Noite, da SIC. Olhando as audiências, o regresso correu bem, já que recolheu a preferência de 1,2 milhões de telespectadores e bateu o concorrente direto, Miguel Sousa Tavares, agora na TVI, invertendo a liderança do canal de Queluz, com o Jornal das 8, que superou o da SIC por escassa margem.

O resultado da estreia reflete o interesse do público pelo reaparecimento de uma mulher de personalidade forte e sem medo das palavras. Mas poderá não se repetir se Manuela não ultrapassar dois obstáculos relevantes. O primeiro é o da independência da sua opinião. Não devia seguir, por exemplo, a estratégia habitual de José Sócrates, que fala para atingir alguém. O posicionamento político da “Procuradora” é conhecido e sabe-se o que vai dizer antes de começar a falar. Ou se distancia e equilibra o registo ou o comentário perderá credibilidade.

O outro obstáculo está na poderosa imagem televisiva de Rodrigo Guedes de Carvalho, que aparece mais como figura tutelar que opina do que interlocutor que pergunta. Libertar-se desse bloqueio terá de ser uma prioridade para Manuela Moura Guedes. Não é tarefa fácil.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 13OUT18