Os croqueteiros que vão brincar com os netinhos

Bruno Carvalho encontrou o Sporting em tal agonia que se viu forçado a aplicar um programa semelhante ao da troika: cortar a direito. Despachou os jogadores mais caros, procurou reequilibrar o plantel sem grandes gastos, confiou num treinador jovem e competente, e contribuiu – com erros pelo meio, é certo – para que os leões ganhassem o primeiro título em sete anos e voltassem a ter a possibilidade de jogar a Champions.

Se mantivesse essa política – e a SAD fecha a época com quase 30 milhões de euros de lucro – teria de seguir a estratégia de Passos Coelho: continuar a cortar nos salários à medida que as receitas fossem minguando. E sabendo que jamais cresceria se não tornasse a ser campeão.

A contenção orçamental que os rivais terão de adotar e o “desinteresse” de Luís Filipe Vieira pelo técnico bicampeão deram-lhe a oportunidade que não poderia desprezar: era agora ou nunca mais. A contratação de Jorge Jesus dá-lhe a certeza de que o Sporting tomará a iniciativa de tentar ganhar todos os jogos, com isso enchendo o estádio e galvanizando jogadores e adeptos.

A história do dinheiro é uma falácia: consiga Jesus a qualificação para a Champions e logo entrarão 2 milhões de euros por vencer o play-off, mais os 12 milhões da fase de grupos. Ou seja, em setembro próximo, o Sporting pode ter já garantido o total a pagar a Jesus pelas três temporadas!

É verdade que a forma como se processou o afastamento de Marco Silva foi miserável, mas a vida é o que é. E é também tempo para a brigada do croquete, que pretende honrar os pergaminhos do seu passado e continuar a enterrar o Sporting, ficar a brincar com os netinhos e deixar a bola rolar. Depois, se ainda tiverem voz, então falem.

Canto direto, Record, 15JUN15

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