Os arruaceiros

Não há bela sem senão. Ao derrotar o Atlético de Madrid, que perdeu a segunda partida europeia, no Vicente Calderón, nos últimos 28 jogos, o Benfica não pôde regressar a Lisboa sem uma mágoa: a causada pelo comportamento daqueles energúmenos que sempre se juntam às claques de futebol, não para assistirem aos jogos mas para promoverem as arruaças que sentem dificuldade em concretizar noutras circunstâncias.

Uma criança ferida, atingida por material pirotécnico, é o balanço mais negro da postura dos anormais, que o Benfica vai ter de pagar com língua de palmo. E muito por dois motivos que ultrapassam a responsabilidade dos criminosos. O primeiro tem a ver com a Liga, com a Federação e com todos os agentes com poder para minimizar o mal, incluindo as forças policiais, que não identificam e não punem os baderneiros. Nos estádios portugueses, basta atentar na benignidade com que se revistam os espetadores “problemáticos” e no “nevoeiro” que se instala sobre os relvados no início de alguns desafios, para se confirmar que brincamos com o fogo. Felizmente, a UEFA não.

O segundo motivo é o da tolerância do próprio Benfica à ação dos crónicos autores dos desacatos. Ao clube, seria fácil identificá-los e barrar-lhes o acesso aos recintos, o que só não faz porque se acha, absurdamente, que um emblema que reclama ter 6 milhões de adeptos não pode perder duas ou três dezenas de doentes mentais. Foi bom ouvir Luís Filipe Vieira aplicar a “essa gente” a designação que bem lhes assenta: a de “arruaceiros”. Mas melhor será que, perante o peso das consequências, o Benfica acorde de vez para o flagelo e o destrua.

Canto direto, Record, 5OUT15

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