Os afetos do “Kids” de “A tua cara não me é estranha”

Apontei aqui, há semanas, a componente perversa dos concursos com crianças, mais propriamente o caso de “A tua cara não me é estranha – Kids”. A desilusão que sofrem as que não saem vencedoras constitui uma violência para a qual nunca estarão preparadas – e isso é um fator negativo.

Mas manda a verdade que se reconheça, no mesmo programa da TVI, o esforço desenvolvido para criar um ambiente saudável e até de carinho. Para esse objetivo contribuem os jurados, que se desfazem em elogios, os apresentadores, sempre prontos para mimos, e os chamados mentores, que se “derretem” totalmente com os seus protegidos. É uma aura de exagero? É. Só que é, também, um fator positivo, mais relevante agora, quando as crianças são as principais vítimas da hecatombe social em que mergulhámos.

Se criticamos os desgraçados sinais dados aos mais novos, em serões de “divertimento” com forte carga deseducativa, devemos aplaudir o oposto: a valorização do trabalho, o elogio dos valores e a dádiva dos afetos. Nesse particular, esta versão “Kids” tem sido exemplar.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 12ABR14

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