Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Opinião de José Eduardo Moniz: “Acomoda-se quem quer”

4 de Outubro de 2011, por Meios & Publicidade

Há muito que a comunicação social vive em ambiente de crise, em Portugal. Sobrevive num mar de dificuldades, treinada a enfrentar um mercado tuberculoso, enrijecida pelo combate com os poderes de ocasião pela defesa da independência e liberdade editoriais e pressionada pelas dinâmicas das novas tecnologias. Jornais, rádios e televisões vêm, desde há anos, fazendo exibições de resistência. Alguns deles, incapazes de se adaptarem às exigências de uma realidade que a economia e a inovação transformaram, esbracejam como náufragos sem tamanho de braços suficiente para agarrar a boia da salvação. Isso é particularmente visível na imprensa, mas poderia ser alargado a grandes grupos de comunicação alicerçados em modelos de organização e gestão familiares, cegos pelo conformismo, pelo orgulho, pela arrogância e pela presunção, cada vez mais errada e frágil, de que conservam a influência de outras eras.

Desde a altura em que dei os primeiros passos no jornalismo, muito mudou. Dessa época sobrevive a saudade da visão romântica de um jornalismo feito com paixão, capacidade de luta e criatividade. Períodos houve em que a curiosidade alimentou a investigação jornalística e a solidez das empresas permitiu o exercício descomplexado e empenhado do nobre trabalho de informar com verdade.

Os tempos, agora, são outros e acumulam-se as limitações: das que se atribuem à responsabilidade exclusiva dos profissionais, às que resultam da permeabilidade à influência política, passando por um empresariado frágil tanto nas convicções como na carteira. Sempre acreditei que a dimensão do país aconselhava a que se procurasse acertar o passo alargando a área de actuação e saltando fronteiras. Mesmo os que me consideravam sonhador concordavam num ponto: a língua portuguesa constitui uma autoestrada de valor incomensurável, com mais de 250 milhões de consumidores.

Acreditamos, na Ongoing Media, que é por essa estrada larga que passa o futuro – tanto o das empresas como o das pessoas. No Brasil , em Angola, em Moçambique, em Timor, em qualquer local onde se fale português, o espírito empreendedor encontra abrigo, desde que impulsionado por motivações construtivas e solidárias, que vão para além do mero lucro.

Com vistas amplas e com força de vontade, a perspectiva de um amanhã menos cinzento é possível. O conformismo de nada serve, a não ser para aprofundar depressões. O melhor remédio é o que rompe com a acomodação e rasga horizontes. Mesmo os que têm como destino a longínqua e outrora inatingível China. À visão paroquial que estrangula, urge opor a internacionalização que derruba limites, tendo presente que as inovações da tecnologia abrem caminho à interacção e ao multiplataformismo, de forma irreversível.

As crises, em regra, proporcionam boas oportunidades para novas opções.

José Eduardo Moniz, vice-presidente da Ongoing Media

Nota da QdoC

Até à próxima segunda-feira, dia 10, o “Meios & Publicidade” publicará diariamente artigos de opinião assinados pelos responsáveis dos maiores grupos de media do país. “Crise. E agora?”, foi o mote para os textos de José Carlos Lourenço (Impresa Publishing), José Eduardo Moniz (Ongoing Media), José Luís Ramos Pinheiro (R/Com), Luís Santana (Cofina Media) e Miguel Gil (Media Capital). Hoje é a vez do vice-presidente da Ongoing Media. Estes artigos fazem parte do especial Grandes Grupos de Comunicação Social, publicado na última edição do M&P.