Octávio Machado, o mestre da culinária

Sou admirador de Lito Vidigal e da forma como monta as suas equipas. Gosto ainda que corra por fora do “sistema”, que não pertença a lóbis, nem alinhe em joguinhos. Estou assim totalmente à vontade para soltar uma boa gargalhada com a multa de 40 (!) euros que Lito terá de pagar pela entrada em campo no Arouca-Sporting, ficando ao que parece sem castigo o facto de ter “metido a mão” e provocado Naldo, que depois o empurrou e se arrisca – por isso e porque Lito “teatralizou” o melhor que conseguiu o seu mergulho para a piscina – a uma pena pesada. Só no futebol português!

A cabeça perdida de Lito, com a partida no fim e o marcador em 0-0, é também estranha porque ele sabia que podia acontecer o desastre: a desconcentração da sua equipa e a consequente perda do jogo. Mas isso sucedeu porque do lado do Sporting, com 10 jogadores no terreno, Jorge Jesus arriscou: refez a defesa com William e manteve Montero e Slimani juntos, sabendo que apenas com esse “pressing” – num momento em que o Arouca defendia mais com o coração – poderia conquistar os 3 pontos.

Houve, entretanto, após a salada que Lito provocou com o desaguisado com Naldo, outro mestre da culinária: Octávio Machado. Foi ele quem pôs, com a mão dos “chefs”, a pimenta no refogado junto à linha lateral, com toda a gente aos berros e os homens da casa desestabilizados – e sem pernas e sem cabeça – a assistirem ao “slalom” de Montero e ao golpe fatal de Slimani. Soado o apito final, o ar do “palmelão” dizia tudo: “Pois é, meus meninos, tenham paciência que eu já levo muito frango virado”.

Canto direto, Record, 16NOV15

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