Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Obrigado Varela ou obrigado, Varela?


De: Artur
Borges [mailto:artur.rmborges@gmail.com]
Enviada: quinta-feira, 14 de Junho de 2012
11:26
Para: Record
Assunto: Capa jornal,
quinta-feira, 14 de Junho

Saudações, pessoal da redacção do
Record.

Eu não sei se este é o endereço de email certo para
poder apresentar a minha crítica, mas decidi arriscar.

Venho então criticar a
vossa capa de jornal de hoje, quinta-feira, 14 de Junho de 2012. Sem dúvida que
é uma boa capa, com uma boa foto, boas cores, mesmo a mostrar o espírito de
apoio à nossa selecção, mas, e não sei como foi uma coisa dessas acontecer, têm
um erro grave no título da capa do vosso jornal.

O título é: “Obrigado Varela”.
Claro que temos que estar gratos ao rapaz pelo golo que marcou, mas será que não
podemos agradecer em bom português? Ou não havia espaço para colocar a vírgula
antes do nome do “novo herói nacional”?

Resumindo, o título correcto seria:
“Obrigado, Varela”. Sei que no mundo do futebol é difícil o uso do bom
português, mas, da próxima vez, revejam as coisas antes de as publicarem, há
muitos jovens jornalistas no desemprego que ainda não se esqueceram da gramática
que aprenderam, e que até podem dar uma ajuda se for
preciso.

Com os melhores
cumprimentos,

Artur Borges  

Nota da QdoC

Muito obrigado, leitor, pelo seu reparo, que tem total razão de ser. Mas aproveito para o informar que todos os jornalistas da redação de Record, do mais experiente dos “tarimbeiros” ao mais jovem dos licenciados sabe que “obrigado, Varela” ou “obrigado, Varela!” é que seria a expressão correta.

Acontece que as questões de forma são também muito importantes num jornal, em particular quando está em causa a elaboração de uma 1.ª página e respetiva comercialização. E no Record fizemos uma opção: a de evitar ao máximo as vírgulas em títulos, desde que a sua supressão não altere o sentido da frase.

José Eduardo Moniz, na sua crónica, na mesma edição que refere, escolheu para título “Daqui a pouco, há mais” e essa vírgula foi retirada. E na edição de hoje, António Oliveira escreveu “Sofrido, mas justo” e ficou igualmente sem a “sua” vírgula.

Depois, ainda no domínio da forma, a mudança de tipo de letra, de tamanho ou de cor, de uma palavra para outra, pode “substituir” visualmente, com vantagem para o leitor, tanto as vírgulas, como os dois pontos. Foi o que fizemos ontem, com “obrigado” a amarelo e “Varela” a branco.

Em termos de Língua Portuguesa, esta opção é discutível, pode até ser condenável pelos puristas. Mas o mercado é o que é, e como Record não recebe qualquer apoio do Estado, antes o subsidia com pesadas contribuições fiscais, as suas responsabilidades na formação são apenas, e exclusivamente, as que lhe forem exigidas por quem compra o jornal e que o punirá, não o adquirindo, quando não gosta ou quando deixar de gostar.

É nessa ponderação permanente, entre o que está certo e o que pode ser feito de modo diferente e informal que se vive na redação de um jornal. O resto são opiniões como a sua, que muito prezamos e às quais respondemos com respeito e gosto, como acabei de fazer.