O tremendo risco de Cristina Ferreira

Na TVI, Cristina Ferreira segue pelo caminho de deslumbramento e auto-afirmação que tanto a pode levar à glória como fazê-la cobrir-se de ridículo. A arrogância só se perdoa aos vencedores.

Em vez de entrar em Queluz de pantufas, a nova diretora logo deu a ideia de ter esbarrado antes, na SIC, numa estrutura profissional não capturável pelo novo-riquismo televisivo. Aquele com que ela agora recupera nulidades já afastadas, substitui competentes por jovens turcos ou tapa a ribalta à maior revelação da estação. E que tem a mesma postura com a velha guarda: dispensa uma referência da TV e contrata outra para acertar contas com o passado: “Hoje só lhe devolvo o que me deu”. Como se a sua gratidão fosse um trunfo que as audiências reconhecessem!

Tudo é assumido em nome de um suposto êxito da TVI – “tomei decisões controversas, mas são minhas” – apagando a linha de bom senso e restauração da credibilidade que vinha sendo traçada. Oxalá eu esteja errado e lhe corra bem porque Cristina – ao dizer “não há nenhuma pessoa, na TVI, que ao meu lado não tenha futuro”, veja-se a presunção – revela pouca noção do que vem nos livros da vida e não admite sequer o risco, que é tremendo, de lhe correr mal. O ego é tramado.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 19set20

Partilhar

Os comentários estão fechados.