O “soco” de Sérgio Conceição não passou de um equívoco

A última polémica que envolve o futebol português é mais um desgraçado exemplo do nível paupérrimo de que se reveste tudo o que não tenha a ver com a excelência dos artistas.

O tenebroso caso do Jamor está convenientemente assombrado pelas dúvidas: agrediu Sérgio Conceição o colega de profissão Pedro Ribeiro? Terá sido outro o agressor e o agredido fez confusão? Ou será Ribeiro um louco à solta que procura protagonismo? Vou mais pela hipótese da agressão consumada, por dois sinais que parecem evidências. O primeiro é o facto de o treinador do FC Porto, que se destrambelha por qualquer coisa, não ter desmentido a acusação nas várias oportunidades que teve para o fazer. Numa situação dessas, o silêncio é admissão de culpa. O segundo sinal é o da revolta do técnico do Belenenses SAD, que percorreu dezenas de metros a gritar ter levado um soco e a acusar Sérgio Conceição. Só um maluquinho faria isso sem qualquer razão, embora eles “andem” aí, como sabemos.

A verdade é que em declarações posteriores também Pedro Ribeiro passou a sofrer de amnésia, recusando confirmar a agressão, o que se compreende à luz de duas realidades. Uma é a sua carreira de treinador, que ele não sabe para onde se virá a encaminhar e não vá o diabo tecê-las. A outra é o peso da entidade patronal sobre um funcionário, ainda por cima em dificuldade. O que Rui Pedro Soares nunca fará, em defesa dos seus legítimos interesses, é afrontar Pinto da Costa. Portanto, sabemos como acabará o inquérito. Não haverá imagens completas dos corredores, paga-se a multazita. Conceição negará e Ribeiro dirá que se precipitou, que o soco foi, afinal, um pequeno chega para lá. E tudo ficará adiado para próximos capítulos, já que o treinador portista e a sua incapacidade para conter a raiva em breve se meterão em nova alhada.

José Mourinho é quinto, na Premier. O Tottenham ultrapassou o Manchester United e o Chelsea ficou a três pontos. A adrenalina das velhas contas por ajustar!

Com cinco vitórias nos últimos cinco jogos, 11-0 (!) em golos e com o internacional português Antunes de regresso à equipa, o discreto Getafe é quarto em La Liga, a um ponto do terceiro, o Sevilha de Lopetegui. O emblema dos arredores da capital – que passou aos dezasseis avos de final da Liga Europa – está assim na zona Champions e à frente do poderoso Atlético de Madrid, que gastou 270 milhões de euros em “reforços”, seis vezes mais que o “Geta”!

Parágrafo de fecho para Paulo Sousa e para aquilo que se designa, ou designava, por “boa imprensa”. Haja clube na iminência de contratar um novo treinador, como aconteceu por estes dias com o Nápoles, que logo surge, na lista de supostos candidatos elaborada pela comunicação social, o nome daquele que foi um enorme jogador mas que tem um currículo relativamente modesto como técnico. Lá diz o ditado: mais vale cair em graça do que ser engraçado.

Outra vez segunda-feira, Record, 16dez19

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