O Record e os castigos de Hulk e Sapunaru (Editorial)

NÃO ERA A MESMA COISA (não teria sido a mesma coisa) 

Record salientou na altura própria o evidente exagero dos castigos aplicados a Hulk e Sapunaru pela Comissão Disciplinar da Liga. Não faz sentido que a agressão a um adversário seja punida com 3 jogos de suspensão e a resposta às (eventuais) provocações de um segurança leve um jogador a ficar impedido de participar em duas dezenas de partidas.

Ainda assim, não se contesta a argumentação do presidente Ricardo Costa, que garantiu que a CD se limitou a aplicar a lei. A palavra de um juiz, mesmo sendo um juiz-protagonista como este, é para se considerar verdadeira.

Da mesma forma se deve encarar a decisão, em última instância, do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, que reduziu de maneira drástica as penas dos portistas, mas já não – e surpreendentemente, ou talvez não – a do bracarense Vandinho.

É que as leis, como é sabido, estão sujeitas a diversas interpretações e nada pior para um pobre leigo do que tentar perceber o douto espírito de um magistrado quando coloca na balança da justiça pesos que vão do 8 ao 80, ou, como foi o caso, dos 3 jogos aos 4 meses, ou vice-versa. Com ou sem feira de vaidades pelo meio, é lá com eles.

Dito isto, resta fazer a conta aos prejuízos e apanhar os cacos, o que fia mais fino porque há sempre os que beneficiaram do rigor da lei – ou do exagero na sua aplicação – e os que perderam.

Record não tem qualquer dúvida em considerar que nem Benfica, nem Sp. Braga, beneficiaram com os castigos aplicados aos jogadores portistas, tão evidente tem sido a excelência do futebol encarnado e a regularidade da época dos arsenalistas.

Do que também não temos dúvidas é de que a absurda penalização do FC Porto trouxe à sua equipa uma quebra de rendimento cujas consequências se torna impossível avaliar com o peso certo. Podia estar, na mesma, em 3.º lugar no campeonato? Podia. Como podia encontrar-se ainda a lutar, em cima do duo da frente, pelo título. Ou seja, podia tudo, mas não era a mesma coisa.

Editorial, publicado na edição impressa de Record de 25 março 2010

PS – O leitor ASD envia-me a seguinte msg: “Acho no mínimo estranho que um jornal tão precocemente rendido aos encantos do Acordo Ortográfico ostente um editorial que confunde o pretérito imperfeito (era) com o condicional (seria).”

Tem razão de ser esta crítica, mas penso que qualquer pessoa entende que pretendi aproveitar um modismo publicitário para terminar o texto, e fazer o título, dando-lhe por isso maior notoriedade. Aliás, a frase correta, se a quisesse utilizar, seria: “…mas não teria sido a mesma coisa”.

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