Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

O que fica mal em televisão é a sobranceria

Nos anos 80, participei, com mais dois convidados, num programa de Teresa Guilherme – cujo nome já se me varreu. Antes de gravar, ela deu-nos uma pequena lição: “Quando um de vocês for o protagonista, peço aos outros que virem a cara para ele porque o desinteresse por quem está a falar fica muito mal em televisão”.

Resgatei o episódio às catacumbas da memória, ao seguir, na quinta-feira, o “Jogo Aberto”, da SIC Notícias, e ao ver Marco Caneira a olhar o vazio enquanto se desenvolvia o raciocínio de Luís Aguilar – que, ao contrário, acompanha sempre, com atenção e achegas, os comentários do colega de painel.

Trata-se de um simples exemplo, pois tanto o interesse de Aguilar como a aparente indiferença de Caneira têm seguidores nos debates sobre futebol nos vários canais, menos na TV cá da casa, onde todos escutam com paixão – e com remoques, para dar cor à coisa – a bravata alheia.

A exceção é, talvez, a da falta de paciência de Fernando Mendes – também ela um “must” da CMTV – que no seu estilo terra a terra vira a cara quando se farta da conversa. Mas até isso é bom porque é genuíno. O que é mau é a pose sobranceira do estou-me-nas-tintas-para-as-tuas-opiniões. La Guilherme já ensinava isso há 30 e tal anos…

Antena paranoica, Correio da Manhã, 19dez20