O que disse Bruno

Existem hoje três classes de jornalistas: os puros e duros, que são poucos, os acomodados que são demasiados e os tipos normais que já são alguns.

Os puros e duros são aqueles que se consideram o “crème de la crème” da profissão e se julgam no direito de julgar e condenar os outros. Polícias de costumes e promotores de ódios, tiram conclusões e decretam sentenças, jamais se opondo, vá lá saber-se em nome de que princípios, a julgamentos na praça pública. Não vivem neste mundo. Se se pudessem pronunciar sobre a conferência de imprensa de Bruno de Carvalho, o presidente do Sporting leria e ouviria o que os cães não gostam.

Os acomodados são os que trabalham normalmente sem empenho, temem emitir opiniões, não se incomodam com a violência, engolem os insultos e, resignados, desistem de combater pela verdade. Já não são jornalistas. Se ousassem comentar as últimas declarações de Bruno de Carvalho, seria para elogiar o líder leonino pelo seu desassombro.

Os tipos normais são os que abdicaram de trazer a bala na câmara, pronta a disparar à menor provocação ou suspeita, mas se recusam a ignorar os desmandos do poder e a arrogância dos poderosos, e procuram encontrar o equilíbrio entre o que pode e deve ser desvalorizado sem vergonha e o que tem de ser defendido sem hesitações. Esses podem criticar ou elogiar a conferência de Bruno de Carvalho sem a raiva do olho por olho ou o temor que leva a dar a outra face.

Tornei-me, mais por mérito do tempo e das circunstâncias, num jornalista de tipo normal. E olho por isso para o discurso do novo comandante da nau leonina com a bonomia adequada ao caso. Compreendo a tarefa gigantesca que tem sobre os ombros e a dureza do mar proceloso que enfrenta. E deixo esse campeonato rolar com uma certeza: no fim da estrada, sempre se farão as contas.

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 13 abril 2013

Existem hoje três tipos de jornalistas: os puros e duros, que são poucos, os acomodados que são demasiados e os tipos normais que já são alguns.
Os puros e duros são aqueles que se consideram o “crème de la crème” da profissão e se julgam no direito de julgar e condenar os outros. Polícias de costumes e promotores de ódios, tiram conclusões e decretam sentenças, jamais se opondo, vá lá saber-se em nome de que princípios, a julgamentos na praça pública. Não vivem neste mundo. Se se pudessem pronunciar sobre a conferência de imprensa de Bruno de Carvalho, o presidente do Sporting leria e ouviria o que os cães não gostam.
Os acomodados são os que trabalham normalmente sem empenho, temem emitir opiniões, não se incomodam com a violência, engolem os insultos e, resignados, desistem de combater pela verdade. Já não são jornalistas. Se ousassem comentar as últimas declarações de Bruno de Carvalho, seria para elogiar o líder leonino pelo seu desassombro.
Os tipos normais são os que abdicaram de trazer a bala na câmara, pronta a disparar à menor provocação ou suspeita, mas se recusam a ignorar os desmandos do poder e a arrogância dos poderosos, e procuram encontrar o equilíbrio entre o que pode e deve ser desvalorizado sem vergonha e o que tem de ser defendido sem hesitações. Esses podem criticar ou elogiar a conferência de Bruno de Carvalho sem a raiva do olho por olho ou o temor que leva a dar a outra face.
Tornei-me, mais por mérito do tempo e das circunstâncias, num jornalista de tipo normal. E olho por isso para o discurso do novo comandante da nau leonina com a bonomia adequada ao caso. Compreendo a tarefa gigantesca que tem sobre os ombros e a dureza das dificuldades que enfrenta. E deixo esse campeonato rolar com uma certeza: no fim da estrada, sempre se farão as contas.

Partilhar

Os comentários estão fechados.