O outro lado de João Baião

Há quase três décadas, num dos dois processos em que respondi em tribunal – entre dezenas de inquéritos sucessivamente arquivados – João Baião acusava-me de abuso de liberdade de imprensa. Fui absolvido, apesar de ter apanhado um juiz deslumbrado com “famosos”: afinal, não tinha escrito a “ofensa”, nem havia ponta por onde se lhe pegasse, era o ridículo absoluto.

Ao longo dos anos, em crónicas espalhadas por diversos títulos, não perdi uma oportunidade de sublinhar aquilo que injustamente me levou, e ao jornalista Luís Rosa Mendes, ao banco dos réus: a criação de um novo verbo – “baiar” – para classificar o mau gosto de um apresentador elétrico e saltitão, de limitada capacidade para aprofundar temas mais sérios e que abusa de um irritante estilo popularucho.

Essa animosidade termina hoje e aqui. Na verdade, ela impediu-me de ver o outro lado da balança, onde se encontra uma inesgotável capacidade de trabalho e o enorme profissionalismo agora confirmado na SIC: ao fim de semana, de manhã no estúdio e à tarde algures pelo país, na segunda-feira, bem cedo, a apanhar os cacos de Cristina e a desafiar Goucha. Além do mais, quem o conhece como pessoa desfaz-se em elogios… Não havia necessidade, João. Chapeau!

Antena paranoica, Correio da Manhã, 1ago20

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