Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

O novo señor Silva no regresso da novela dos centrais do Sporting

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Uma velha cena. O folhetim dos centrais regressou a Alvalade, com o jovem Sarr a não poder ajudar Maurício – tomara que o ajudem a ele! – e o brasileiro, órfão de Rojo, a sentir também grandes dificuldades. Não fosse ontem outra vez Rui Patrício e o caldo tinha-se entornado. Nos leões, o “processo defensivo”, como diria Luís Freitas Lobo, é um desastre que promete continuar a custar pontos.

Da terra brotou um 33. Mas nem tudo são desgraças. Marco Silva teve o golpe de asa de colocar Jonathan Silva – argentino, 20 anos, com visual de Rojo e menos uns centímetros que o compatriota – na equipa inicial e fez do 33 do Sporting o herói improvável do clássico. Decorriam precisamente 78 segundos quando a promessa de La Plata, metido no coração de uma defesa destrambelhada, que acorrera ao meio atrás de Nani, meteu a cabecinha na bola e abriu o marcador. É sina nacional: mal ameace desaparecer um senhor Silva da ribalta e logo surge outro para o substituir.

Uma estrutura em crise? Era de calcular que Lopetegui aparecesse na conferência de imprensa, após o jogo, a reclamar do trabalho do árbitro. A célebre estrutura do futebol portista, que ganhou fama por ter proveito, deve estar um bocado fora de forma. Então ninguém explicou ao senhor quem é essa grande figura do apito que dá pelo nome de Olegário Benquerença? Para marcar penálti naquela jogada, teria Maurício de pegar na bola e ir entregá-la ao árbitro. Mais adaptado à realidade, Marco Silva não quis sequer referir o empurrão a Slimani, na área do FC Porto… Para quê, se tudo decorreu dentro da nossa normalidade?

Tello é outra fruta. Está para se perceber se a qualidade demonstrada por Lopetegui à frente das seleções jovens de Espanha poderá encaixar no grau de exigência do FC Porto ou se de equívoco em equívoco irá o técnico até à derrota final. Porque se por um lado se entende a insistência em Ruben Neves, verde para estas cavalarias mas com potencial para ir longe, já a opção por Ricardo Quaresma só se entende como presente de aniversário. O FC Porto da segunda parte, com Óliver e Tello, foi muitíssimo melhor do que a equipa amorfa que levou, na metade inicial, um banho de bola.

O apagão de Alex. Como Danilo, ainda há seis meses Alex Sandro valia biliões, era um lateral do caraças, o máximo. Mas como dizia a portíssima @Miminhas, no Twitter, foi de férias e mandou de regresso um sósia que, coitado, não seria titular no meu Belenenses. E esse é outro problema grave para Lopetegui: com tantos jogadores novos e uma equipa para construir, o pior que lhe podia acontecer era que os valores seguros, e já integrados, se apagassem assim.

Nada de terços. Antes do desafio começar, William, Maurício, Brahimi e Slimani fizeram as suas orações. Nenhum deles me pareceu nada católico. A Senhora de Fátima já não domina o território.

Contracrónica, Record, 27SET14