O novo erro de Bettencourt e a indefensável posição de João Moutinho

Sou obrigado a engrossar as críticas a José Eduardo Bettencourt pelo óbvio ajoelhar perante o poderio de um dos rivais que o Sporting devia combater. Bem pode o presidente leonino arranjar desculpas para esta destrambelhada gestão que levou não só à perda de um dos maiores ativos da SAD de Alvalade como de um daqueles símbolos sem os quais as grandes instituições se tornam banais. É que fazer de um jogador de 20 anos capitão de equipa e seu carregador de piano ao longo de três temporadas – quase sem descanso! – e torná-lo depois bode expiatório de uma época desgraçada, não por causa dele mas por múltiplos erros da direção, é falta de jeito a mais.

A liquidação da mais-valia que João Moutinho constituía confirma que o Sporting continua fiel ao seu desprendimento pelos que lhe dão, com a entrega da própria alma, um testemunho de grandeza. Por este andar, em breve o leão só terá “ics” e “ovs” ao seu serviço, desestabilizadores crónicos e mercenários que só dividem, em vez de dedicações e profissionais que somam, sinal de que Bettencourt não entende que também está de passagem pelo Sporting e que depois dele só restarão sombras e demónios.

Com este lamentável caso de João Moutinho, um simples negócio entre sociedades, é bom lembrá-lo, não fossem os seus contornos excecionais, o clube de Alvalade fica praticamente nas mãos de Paulo Sérgio e da capacidade que o treinador tiver para montar rapidamente uma equipa competitiva e ganhadora, tarefa agora bem mais difícil. Se isso não acontecer, o Natal irá trazer-nos novidades nada agradáveis.

Dito isto, tenho uma última palavra a escrever em defesa de Bettencourt. Fosse por que motivo fosse, e de qualquer forma sempre muito por culpa do chefe da banda, o comportamento posterior de João Moutinho – já com a cabecinha ligada aos que não brincam em serviço, claro – é inaceitável para qualquer empresa. Mesmo como capitão, símbolo ou deus que fosse. E quando as divergências chegam a esse ponto, quem lidera não pode ceder, nem voltar atrás. É a andar e pronto. O que, no caso, é uma pena.

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 6 julho 2010

Partilhar

Os comentários estão fechados.