Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

O Mundo é de Cristiano Ronaldo

Quando Cristiano Ronaldo não marca ou o faz a um ritmo que pareça uma ameaça para os 50 ou 60 golos que obtém todas as épocas, logo se instala, na cabeça dos comentadores, uma crise idêntica à que temos em Portugal quando fica muito tempo sem chover: chamam-lhe seca. E tal como as nossas albufeiras, que registam ainda, no conjunto, 60% de água, nem o facto de Cristiano seguir com um bom nível competitivo, embora concretizando menos, afastava a imagem da seca, no seu caso de golos. Enfim, temos de falar ou escrever sobre qualquer coisa, e daí à esquizofrenia é pequeno o passo. Depois, claro, o goleador aponta cinco de uma vez, e toca a embandeirar em arco com o repoker – desculpem lá mas não gosto da “manita”.

Coisa bem diferente do que está à vista – o homem continua aquela máquina – é o que se julga poder adivinhar com alguma dose de certeza: Cristiano não está feliz. Como aqui escreveu há dias Octávio Ribeiro, “no Real Madrid, o elo afectivo com os adeptos quebrou-se”. E CR7 sofre com essa dor. As razões são várias  e vêm do passado mas são inapagáveis do futuro do madeirense, que nesta temporada pulverizará – tarefa que já começou – o resto dos recordes que lhe restam bater nos merengues. Partindo da forte probabilidade de Benítez, um treinador que não gera nos jogadores a empatia de que tanto se “alimenta” Cristiano, falhar nos objetivos, os assobios crescerão e o jogador abandonará Madrid. Regressará ao MU, como parece ser o seu destino? Ou deixar-se-á tentar pelos milhões do PSG? Ou preferirá a vida fabulosa que o espera nos States? O Mundo será dele, isso é certo.

Canto direto, Record, 14SET15