Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Televisão promove teatro no Clube Estefânia

Pedro3Pedro7Quarenta e sete anos depois, quero voltar à histórica sala do Clube Estefânia, em Lisboa, pela qual passaram grandes nomes do teatro – Eunice Munoz estreou-se ali – e muitos grupos amadores conheceram noites de glória. No palco da velha associação recreativa, fundada em 1890, está em cena, de quinta a domingo e até 29 do corrente, a peça Um Ano Sem Ti, de João Ascenso.

Tomei conhecimento da iniciativa através de uma eficaz acção promocional do actor Pedro Barroso – o Rodrigo de A Única Mulher, a novela da TVI que fixa diariamente ao ecrã quase milhão e meio de telespectadores. À beira dos 30 anos, o Pedro revela um contagiante entusiasmo pelo teatro, esse parente pobre do espectáculo em Portugal, que a televisão só não destrói completamente porque tanto nos convida a ficar em casa como promove acções como a do jovem talento saído da fábrica dos Morangos com Açúcar.

Distante está o ano de 1969, quando tentei, com uma pequena equipa de extraterrestres – que recordarei aqui em breve – reerguer o grupo de teatro do Clube Estefânia, divulgando os espectáculos de porta em porta, e com bilhetes, cartazes e programas feitos de fotocópias…

Pedro2Pedro6Vou uma noite destas à Rua Alexandre Braga reviver esse amadorismo total e assistir a Um Ano Sem Ti. Mas também ver, pela primeira vez, a actriz Raquel Rocha Vieira, de 24 anos, que conheci ao colo do pai, e que se for, no teatro, tão boa como ele, no jornalismo, irá longe. A vida passa depressa!

Parece que foi ontem, Sábado, 18FEV16

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No final de O Doido e a Morte, de Raul Brandão, pelo Grupo Cénico do Clube Estefânia, em 1969. A encenação foi de Igor Sampaio