O meu amigo Manuel Monteiro

Ao contrário do que sugere o título, não conheço Nel Monteiro e, por certo, um dia assim morreremos os dois. Interrogo-me até, e comigo milhares de telespetadores, o que terá passado pelas cabeças dos “convidados” de Bruno Nogueira para se prestarem aos ridículos papéis que tanto nos divertem em “Som de cristal”, na SIC. Mas a resposta encontra-se depressa: a montra televisiva é essencial para quem vive do público.

Aproveitou-a bem o bom do Nel, o pioneiro dos cantores portugueses no vai e vem pela Europa: foi ele quem, há 30 anos, descobriu o filão dos emigrantes em Paris, saindo de casa com a mala carregada de cassetes e regressando para voltar a enchê-la – e partir outra vez.

Comovi-me agora quando ele disse não passar de “um provinciano” que levou a vida para a frente com o seu trabalho, genuíno e limpo. É, afinal, um entre os milhares de bravos que procuram no estrangeiro, hoje como ontem, o pão que a Pátria lhes nega. Orgulho-me de ti, Manuel – um abraço, meu amigo.

Antena paranoica, CM, 19SET15

Partilhar

Os comentários estão fechados.