O meu adeus a Mário Bettencourt Resendes

Conheci-o em 1976, acabado de “quase” se licenciar, como um dos mais entusiastas jovens jornalistas da redação do vespertino “Jornal Novo”. Estou ainda a vê-lo, sentado na sua secretária, junto à janela da varanda do palacete de Santa Catarina, onde tantas vezes Alfredo da Silva contemplara o seu império industrial na Outra Banda.

Recordo-o depois, como director do “Diário de Notícias”, quando fidalgamente me recebeu no edifício da Av. da Liberdade, comigo à frente da redação de um “24 Horas” cuja chegada tantos engulhos causou à gente menor que se entranha por todo o lado.

E ainda há um ano me ouviu, como Provedor dos Leitores do DN, aproveitando a minha experiência na direção de um diário “desportivo” para abordar uma questão que lhe tinha sido colocada.

Ouvia-o sempre também, com renovado prazer, quando atirava os problemas de saúde para trás das costas e aparecia, ou reaparecia, na SIC Notícias, a comentar a atualidade política, com a lucidez, a isenção, a tolerância e o equilíbrio que dele emanavam, a par de uma insuperável bonomia.

Mais pena de o ver partir tão cedo tenho, ainda, do muito que sofreu às mãos da implacável doença que sempre ataca os que não merecem. E vejo como caem, um após outro, os jornalistas que foram referências para mim e me concederam o privilégio de me ajudar a crescer.

Terá de chegar a minha hora para pôr fim a este repetido sofrimento. Adeus, Mário, não te esquecerei. 

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