O mau sinal de Rui Gregório

Sou apoiante do atual presidente do Belenenses e só lamento que não tivesse chegado (ainda) mais cedo à liderança do meu clube. Isso quer dizer não que esteja ou venha a estar de acordo com todas as suas decisões – decididamente não nasci para “yesman” – mas que serei solidário com as opções que tomar, mesmo aquelas que o futuro possa transformar em insucesso.

O realismo e a verdade são absolutamente indispensáveis à salvação do Belenenses – porque é do que se trata – e não mais será possível varrer o lixo para debaixo do tapete. Por isso, a equipa de futebol não pôde ser reforçada, havendo até necessidade de reduzir custos com a rescisão de alguns contratos.

Foi para treinar este plantel, com meia-dúzia de veteranos sem mercado e dúzia e meia de jovens com ânsia de mostrarem o seu valor, que Rui Gregório foi contratado. O objetivo da época só pode ser a manutenção na Liga de Honra, a disputa de um campeonato tranquilo, que dê tempo para arrumar a casa e iniciar depois o crescimento sustentado que permita dar ao futebol condições para regressar à I Liga.

À luz desta cristalina realidade, que o próprio João Almeida definiu na excelente entrevista que “Record” publicou no passado domingo, não entendo as críticas que Rui Gregório dirigiu aos seus jogadores após a copiosa derrota frente ao Freamunde. Essas críticas confirmam, infelizmente, as dúvidas que se me colocaram na altura da sua escolha. Teria preferido, para esta fase de míngua de recursos, uma “velha raposa” – e temos tantas no desemprego! – que “compensasse” a fragilidade do plantel e que soubesse uni-lo em vez de o partir.

Os dirigentes do Restelo sabem melhor do que eu que o futebol tem de cumprir os serviços mínimos que impeçam os incendiários de promover a destruição irreversível do clube. Quando os insultos se tornarem insuportáveis, ou seja, se forem forçados a bater com a porta, será o fim.

Canto direto, publicado na edição impresas e Record de 19 agosto 2010

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