O júri cabotino do “Got Talent Portugal”

Verificando que os programas mais vistos da RTP, além do futebol e do Telejornal, são concursos, Manuel Falcão questionava – em artigo recente na revista “Correio da Manhã TV” – o sentido de se “manter os contribuintes a suportar um operador que basicamente faz concorrência aos privados” sem criar uma grelha “complementar em relação às outras ofertas do mercado”.

Além da incapacidade de definir um rumo para a estação de serviço público, a mudança de gestão de há um ano, que prometia também uma vida nova ao nível dos conteúdos, manteve ainda a tradicional incapacidade da RTP para, já que vai à guerra, a ganhar.

Veja-se o caso das noites de domingo. Como pode o oportunista “Pequenos Gigantes”, da TVI, bater nas audiências o construtivo “Got Talent Portugal”, da RTP? Provavelmente porque o olho de lince dos profissionais de Queluz soube compensar a exploração infantil com um júri pedagógico e de brilho próprio, enquanto o canal oficial tem nos jurados o “gap” de um formato positivo e de êxito garantido em todo o Mundo. Junta-se um cromo a um pãozinho sem sal, e um durão cinzento a uma diva relativa e espera-se o quê? Que o talento seja curto como o país, aceita-se, para o cabotinismo é que não há paciência.

Antena paranoica, CM, 16ABR17

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