Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

O jogo de cintura de Cristiano Ronaldo

Confirmei “in loco”, há uma semana, no jogo do Real Madrid contra um dos últimos, o bruá que se ouve na televisão: ainda aninhado nos confins do quarto anel, o germe da contestação a Cristiano Ronaldo desenvolve-se no ovo, pronto a sair à luz do dia no Bernabéu. Aplaudido por meio estádio, é clara já a “metade do silêncio” pela qual ecoa um cavernal “uuuuuh!…” – marca de CR7 – sempre que o português falha.

As lesões dos madridistas com pernas de vidro obrigam hoje Cristiano a “jogar de 9”, quase fixo no meio dos centrais e a perder uma das suas melhores caraterísticas: a capacidade de fletir das alas para o espaço interior e encontrar o momento adequado para o remate. Esta experiência, aliás, surge em desabono do que vaticino aqui há anos e da tese de que Manuel Fernandes é o maior defensor: a de que Cristiano terminará a atuar como ponta-de-lança. A verdade é que nunca fez a diferença nessa posição e tem sido dececionante vê-lo, nas últimas partidas, no papel de um jogador apático e vulgar.

Conhecemos no que dá a incomodidade de Cristiano. Depois de há pouco tempo ter dito que queria acabar a carreira em Madrid, adotou na passada semana um jogo de cintura: admitiu à “Kicker” a saída do Real, revelou à “FHM” o desejo de jogar nos States, e segredou ao ouvido de Laurent Blanc – sabendo que o PSG é o grande candidato à sua contratação e querendo causar o abanão que o gesto efetivamente provocou. Florentino ficou em choque, mas a derrota de ontem em Sevilha – com nova exibição miserável da equipa de Benítez – fez sair já da estação um comboio que nem Jorge Mendes deterá.

Canto direto, Record, 9NOV15