Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

O horrível Mundo Novo

Num aborrecido tempo de antena de final de ano, revejo pela enésima vez o filme de uma associação ambiental em que se veem aves que, dizem eles, “ocorrem” a determinado local. E logo a seguir acompanho a felicidade de um dos infelizes repórteres lançados nas ruas de Paris para debitarem qualquer coisa, por ter encontrado, num bar, um homem que falava “um pouco de espanhol”. O jornalismo chegou a este ponto, é aguentar que não há retorno.

Ainda por cima hoje, quando levamos com horas e horas de notícias sobre terrorismo – e mais umas patetices disfarçadas de informação, o que é inevitável – já quase nada nos incomodam os sinais de ignorância. Que fossem eles os males do Planeta!

A banalização da violência, há muito potenciada pelos telejornais, impõe-nos agora, como um colete de forças de que não conseguiremos sair, o mestrado do terror. Corpos despedaçados, sofrimento em direto, temor pelo amanhã: é o horrível Mundo Novo ao alcance de um botão que tantas vezes nos fez felizes.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 21NOV15