O grupo dos 9 que faltam à Seleção

A Seleção pode ter feito agora, pela primeira vez, o terceiro jogo consecutivo a golear: 5 ao Luxemburgo, 4 a Chipre e 5 à Islândia. Catorze golos no total, 3 dos quais de Cristiano Ronaldo.

Resultados robustos frente a adversários relativamente fracos e na sequência de atuações modestas. Com Paulo Bento melhorou tudo na representação nacional – o elogio de ontem de Gilberto Madaíl é mais do que merecido – mas as grandes exibições é que teimam em não aparecer. E isso é motivo de preocupação porque na terça-feira a palidez da equipa das quinas, o “andar para ali”, pode ser-lhe, e ser-nos, fatal.

Simão não faz falta à Seleção? E Tiago, e Ricardo Carvalho, e Bosingwa? Não, temos outra gente à sua altura. Pepe, Fábio Coentrão, Hugo Almeida e Sílvio estão lesionados, e Danny foi operado? Paciência, só contam os que entram em campo. Este raciocínio, sendo correto porque o selecionador só pode trabalhar com quem está disponível de corpo inteiro, física e mentalmente, tem depois uma outra face perversa: a falta de opções de primeira linha.

Nenhuma turma nacional pode exibir-se ao mais alto nível quando lhe faltam 9-jogadores-9 que são todos titulares em grandes clubes europeus. Isso abre, como se viu ontem, a porta a soluções de recurso que não são a mesma coisa. É verdade que Eliseu se revelou – afinal, quando uns não querem outros agarram as oportunidades, está nos livros. Mas não nos enganemos, no centro da defesa e no meio-campo nota-se alguma falta de classe.

Vamos para a partida decisiva com os nervos em franja, confiantes nas decisões de Paulo Bento, nas defesas de Rui Patrício, no génio de Nani ou num golpe de asa de Meireles – e com a esperança que nunca perdemos: que Cristiano faça, enfim, na Seleção, a exibição de gala que prometeu. Mas chegará?

Crónica publicada na edição impressa de Record de 8 outubro 2011

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