Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

O grande exemplo do futebol feminino

Sei que faltam ao Benfica os dois centrais, os dois laterais e se calhar também o guarda-redes, mas quando vi, na noite de domingo, o avançado do Anderlecht, Lukaku, passar pelo meio da defesa encarnada e empatar a partida – num lance a papel químico do que assinara, na sexta-feira, Nené, do PSG, também a estabelecer o empate frente aos da Luz, no Estádio Algarve – mudei, como “protesto”, o canal da TV e “instalei-me” em Frankfurt, no Japão-Estados Unidos da final do Mundial feminino.

Não me arrependi, já que pude assistir a um notável desafio de futebol, sem violência, sem fitas, sem insultos, sem casos – apenas 21 faltas em duas horas de jogo! – e com duas equipas que correram do princípio ao fim e rubricaram jogadas de elevado recorte técnico. “Elas” só me pareceram menos dotadas do que os homens na marcação das grandes penalidades e, mesmo isso, apenas até ver a gravação dos quatro (!) penáltis falhados pelos brasileiros na Copa América.

Ainda bem que há quem não ligue muito ao futebol feminino. Talvez assim possamos continuar a desfrutar desse oásis de qualidade e fair-play. Dentro e fora do campo, é a festa e o espetáculo que estão de volta.

Passe curto, publicado na edição impresas de Record de 19 julho 2011