Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

O gesto raro de Villas-Boas

Não faltam, por esta altura, elogios a André Villas-Boas, elogios que são, seguramente, todos merecidos. Pela minha parte, a única coisa que lhe desejo é que, se um dia as coisas não lhe correrem bem, não estranhe, então, o que os autores de tanta louvaminha dirão dele.

Mais do que os feitos desportivos, de facto notáveis, o que verdadeiramente me tem espantado na postura do técnico portista é a sua imunidade – durará? – à vaidade e à petulância. O modo como ainda hoje, já com três títulos no bolso, suporta estoicamente as perguntas mais absurdas, é um sinal de que se mantém fiel à sua simplicidade e ao respeito que deve aos outros.

Mas anteontem, Villas-Boas surpreendeu-me ainda mais, ao dedicar, num gesto de rara humildade, os títulos a Guardiola, Mourinho e Bobby Robson, o mestre que tantos esqueceram e cuja memória permanece consigo. Bonito!

Estão a ver aquele médico do FC Porto, com um penteado igual ao meu, que está sempre aos abraços ao treinador? Pois peço-lhe respeitosamente que, logo que o apanhe a jeito, dê mais um abraço ao André, esse cá pelo rapaz. Ele merece.

Passe curto, publicado na edição impressa de Record de 20 maio 2011