O fracasso compensa

A saga da RTP não tem fim.
Agora, é o secretário Maduro, ministro ou o que o valha, quem avança com a estafada ideia de a colocar sob a
alçada de uma entidade “independente”, uma medida que os partidos do poder sempre
rejeitaram para lá alojar a sua rapaziada. O que não se aponta é a forma de suportar
a estação sem ser através dos impostos.

Uma das características da
crise tem sido a morte da esperança de que ela constituísse, ao menos, a hora
da verdade para as empresas geridas sem rigor mas com habilidade para meter o lixo
debaixo do tapete – e não me refiro à RTP.

Alguns bancos, hoje
dependentes do Estado, são os responsáveis por este fracasso que compensa, pela
gestão que leva os falidos a continuarem a contratar amigos e a viver à grande.
É apenas essa banca que mantém abertas empresas com défices sistemáticos, que
fazem concorrência desleal às que se vão aguentando – e assim destroem o mercado.

Num país onde se roubam até
pensões de sobrevivência, existe uma outra pena insuportável: a que nos obriga a
assistir, com desprezo embora, à vitória da esperteza e da iniquidade.

Antena paranoica, publicado na edição impressa do CM de 14 setembro 2013

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