O fax de Macau e o meu amigo João Tito de Morais

No lançamento da ÉLAN, em dezembro de 1986: Francisco Calheiros, Alexandre Pais, João Tito de Morais, Vítor Direito e Carlos Barbosa

No dia em que foram conhecidas as acusações do Ministério Público a José Sócrates, recuei a 1990 para recordar o caso Emaudio ou do fax de Macau – durante anos o mais mediático acerto de contas da justiça com a classe política. Esse processo envolveu, entre outros, aquele que foi um dos meus melhores amigos de toda a vida: João Tito de Morais.

Acusado de corrupção ativa, foi julgado e condenado, apesar de Carlos Melancia, ex-governador de Macau e alegado corrompido, ter acabado absolvido. Acompanhei de perto o drama do João, a firmeza como se reclamava inocente, o sofrimento com que enfrentou os mais próximos e em particular a tristeza causada ao pai, Manuel Tito de Morais, que fora presidente da Assembleia da República e, como o filho, exilado político e fundador do Partido Socialista.

Numa festa da ÉLAN, no Bananas, em 1987, João Tito de Morais e Ana Maria Lucas, com Ana Bastos e Cristina Câmara (à direita)

Devo boa parte da minha carreira profissional ao João Tito, que viria a morrer de pneumonia, em 2001, na sequência de um cancro que parecia ter vencido. E escolho esta hora de sensibilidades à flor da pele – em que amizades se renegam, cumplicidades queimam e memórias se apagam – para uma homenagem à sua memória e ao seu espírito jovial, solidário e empreendedor.

Nunca me interessou julgá-lo. Se era culpado, pagou. E lá por onde anda, de mim só sentirá gratidão, ternura e a alegria das boas recordações.

Parece que foi ontem, Sábado, 19OUT17

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