O dilema de Paulo Bento

Raul Meireles é hoje o símbolo da resistência dos veteranos na Seleção. Joga no extremo das suas capacidades físicas, tem de parar para recuperar e volta de novo a desafiar os seus limites – é um privilégio para qualquer selecionador poder contar com um jogador assim.

Mas Paulo Bento debate-se, a três meses do Mundial, com a prolongada indisponibilidade de vários pesos-pesados, sem os quais todos veremos reduzidas as nossas esperanças num bom desempenho da Seleção. Os casos de Nani e Hélder Postiga são os mais preocupantes, já que ambos são pedras nucleares no onze, um pela velocidade e pela criatividade, o outro pela mobilidade e pelo volume de trabalho. Nani anda desaparecido em combate, fez apenas dez jogos esta época no MU, e Postiga foi “assassinado” por um técnico incompetente que o obrigou a um esforço tal que os problemas discais de que padecia se agravaram.

A questão do ponta de lança – aquele que “não temos” desde que Pauleta abandonou – é talvez a de mais complexa solução, pois Hugo Almeida lesiona-se com facilidade, Éder dificilmente recuperará em tempo útil, e Nélson Oliveira, que não consegue ser titular do Rennes, está agora parado por causa de uma pubalgia. Resta Edinho, que é a opção que é: um avançado esforçado mas “curto” para uma competição tão exigente como o Mundial.

Também nas alas a vida é dura porque não é só a baixa provável de Nani, há ainda o mistério de Danny, que parece nesta altura uma carta fora do baralho. Será oportunidade para a renovação, com Ivan Cavaleiro a afirmar-se, a chegada inevitável de Mané – se mantiver o nível exibicional dos últimos desafios – e o quase indiscutível regresso de Quaresma. Bruma, gravemente lesionado, mais um, é que não chegará até à hora da partida.

Canto direto, Record, 8MAR14

 

Nos sectores recuados, Paulo Bento respira, com muitas opções para a baliza e um grupo de resistentes na defesa – Pepe, Ricardo Costa, João Pereira e Fábio Coentrão – restando saber que Bruno Alves teremos no Brasil, já que Neto é por enquanto uma incógnita: como responderá nos jogos a doer? Temos de novo Rolando e essa é uma boa notícia. Infelizmente, há poucas.

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