Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

O dia triste de julho em que fechou o “diário do PS”

Hoje2a

A 9 de abril de 1982, recebi um convite para jantar. Num restau-rante do Bairro Alto, o diretor do “Portugal Hoje”, João Gomes – que dirigira o “Diário de Notícias”, de 1976 a 1978, e que viria a ser provedor da Santa Casa da Misericórdia – desafiou-me para ser chefe da redacção. Eu já tinha uma carreira de chefia e o “PH”, fundado em 1979, não parara de devorar responsáveis editoriais. “O Portugal Hoje na verdade só agora é que vai começar”, dizia-me João Gomes, entusiasmado. Não havia como recusar, estávamos no mesmo barco e a opção era remar ou morrer.

Não correu bem. Deixámos as instalações da CEIG, no Dafundo, e fomos para um pequeno prédio do centro de Lisboa, onde se instalara um novo equipamento de fotocomposição que ninguém conseguia pôr a funcionar. Os recursos financeiros falharam após empresários como Salvador Caetano ou Abel Pinheiro terem suspendido a ajuda. Até uma viagem de João Gomes à Venezuela – com uma carta de Mário Soares para Carlos Andrés Pérez – não resultou. Só vieram 100 contos… O PS estava na oposição, as vacas andavam magras.

Editorialmente, o “PH” fraquejava, tinha poucos jornalistas, alguma parasitagem e motivação próxima de zero. O “diário do PS”, que em 1980 chegara a vender mais que o “Correio da Manhã” – como é a vida! – agonizava. João Gomes, um enorme jornalista e uma excelente pessoa, não merecia a decisão que teve de tomar naquele dia triste de 29 de julho de 1982. E 32 anos depois, o tempo e a experiência dizem-me que eu, e outros companheiros, também não.

Parece que foi ontem, Sábado, 3JUL14

PH

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