O dia em que o CM não quis o velho

“Quando ganhas, és um velho profissional. Quando perdes, és um homem velho” – Charlie Conerly, jogador da NFL (futebol americano), 1921-1996

Decorria, se bem me lembro, o ano 2000, quando a minha filha Teresa Pais veio de Linda-a-Velha a Lisboa para falar com o administrador Miguel Ribeiro e Silva, então na Cofina (Investec), e com o qual trabalhara no grupo de Francisco Balsemão. Ele convidou-a para reestruturar e editar a revista de domingo do Correio da Manhã. A Teresa agradeceu a confiança mas não quis deixar os amigos que fizera na actual Impresa e manteve-se na Telenovelas – e por lá ficou até hoje (ver texto ao lado).

Generosa, e sabendo que eu saíra da chefia do 24horas para a prateleira do Tal&Qual – e estava longe de pensar que meses depois os iria dirigir – a Teresa disse ao gestor que o pai tinha a capacidade e a experiência necessárias para a tarefa em causa.

Que não, nem pensar nisso. Não pretendiam um acomodado, talvez até carregado de vícios, mas um jovem cheio de potencial e de ambição. E pronto, recomendação feita e rejeitada, assunto encerrado.

Dois anos e pouco mais tarde, no final de 2002, já eu acumulara a direcção do Tal&Qual com a do 24horas, títulos da Lusomundo, a Cofina convida-me para o Record e põe a administração da concorrente em posição difícil, pois julgavam-me um mago daquele tipo de jornalismo.

E quem deixara, entretanto, a Cofina, e se transferira para a Lusomundo? Miguel Ribeiro e Silva, nem mais, a vida tem destas coisas. Igualaram então a proposta da Cofina, queriam muito que ficasse. Mas o velho saiu, a sorrir, pela porta da frente. E jamais se arrependeu.

globos ouro-coliseu 17-05-09  JO

A Teresa com o Carlos Maciel, a dupla que dirigiu a TV Mais e a Telenovelas nas últimas duas décadas

Teresa Pais, jornalista: 32 anos de carreira e 17 a dirigir a Telenovelas

Olhamos sempre mais pela janela do que para dentro de casa. Só ao revelar um episódio passado com a Teresa Pais dou conta como vai longo o seu percurso jornalístico, iniciado em 1983, na redação do Off-Side, a recolher, pelo telefone, fichas de jogos de futebol. Tinha 16 anos. Num momento difícil da vida, em que razões de saúde a forçam a deixar a direcção das revistas TV Mais e Telenovelas – esta de que é responsável desde o seu lançamento, em 1998 – peço a paciência do leitor para celebrar aqui a sua carreira profissional, que tem um saldo claro e definitivo: o do sucesso. Chapeau, Tê, conseguiste!

Parece que foi ontem, Sábado, 28MAI15

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