Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

O desafio de Bruno de Carvalho para 2014

O presidente do Sporting alertou os adeptos para os perigos que correm as medidas de salvação do clube encetadas após a sua chegada, se não se aumentarem as receitas, nomeadamente no apoio às modalidades e através de adesões de sócios. Um problema com que se debate o emblema de Alvalade e mais uns largos milhares de associações e empresas portuguesas.

Bruno de Carvalho, de cujo estilo truculento não sou particular admirador, não merece elogios por ter o Sporting à frente da Liga neste final de 2013 – era 8.º, há um ano, a 21 (!) pontos de Benfica e FC Porto – já que isso é só um dos muitos fatores positivos que resultam de atos da gestão responsável que empreendeu.

Os leões, é bom que se sublinhe, e uma outra vez nunca será excessiva, estiverem à beira da rutura total, da falência. E só a coragem da nova direção no abate das despesas, algumas absurdas, muitas insensatas e quase todas fruto de um voluntarismo suicida, permitiu estancar a ferida e ganhar tempo e espaço para poder respirar e sobreviver.

Por muito difícil que seja uma tarefa de saneamento financeiro, ela depende basicamente da capacidade de quem lhe meteu ombros. Já o combate pelos proventos implica que venham reforços, pois a entrada de dinheiro não depende apenas do que queremos mas da vontade de terceiros. O Sporting pode decidir cortar todas as despesas que entender, o que não lhe é possível é decretar o aumento das receitas.

O apelo do líder leonino, para mais em plena crise económica e social no País – crise que promete acentuar-se com mais cortes e maior carga fiscal em 2014 – esbarra num muro quase intransponível: o da credibilidade perdida. Os adeptos cansaram-se de aventuras, desiludiram-se com a gestão errática, fartaram-se de mentiras e descreram do futuro do seu clube. Concentraram-se, então, noutros interesses, em diferentes caminhos, em desafios com menor risco. Fugiram não do Sporting mas do sofrimento.

Ainda desconfiados, espreitam de longe. Fazê-los voltar a acreditar e regressar para as boas emoções do velho leão de sempre é o trabalho a desenvolver em 2014. E é para gigantes, Bruno.

 Canto direto, Record, 28DEZ13