O Chipre de Bagão Félix e o resto

António Bagão Félix, que faz hoje 68 anos, é um dos melhores comentadores da TV. À quarta-feira, lá estou eu, focado na SIC Notícias, atento à sua lição feita de linguagem simples, lúcida, isenta e por vezes algo ingénua, o que só aumenta a sua aura de credibilidade.

Esta semana, o ex-ministro das Finanças e do Trabalho lamentou-se dos comunicadores (?) que dizem “no Chipre”, em vez de em Chipre, e até “chipriotas”, no lugar de cipriotas, o que revela que vê pouco televisão. No futebol, por exemplo, agora que desapareceu das transmissões o brasileiro Ramires, que era “Ramirez”, como o atum, já abriram outra janela de afirmação, com o português Renato Sanches, saloiamente rebatizado como “Sanchez”.

E no resto é o delírio total, que vai da “ovação de salva de palmas” ou do “suspeito detido vivo”, à criança que “caiu inanimada no chão” ou às vítimas que “caminhavam a pé”, passando pela bomba que “rebentou com violência” ou, como ainda há dias, pelo “verdadeiro arsenal de armas” neutralizado em Vila Real.

Recorrendo a um adjetivo tão do agrado dos jornalistas-google – que o usam a propósito e a despropósito sem fazerem a mínima ideia de quem foi Dante, mas que se licenciaram sabendo coisas profundas – é uma situação “dantesca”, professor, uma guerra perdida, acredite.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 9ABR16

Partilhar

Os comentários estão fechados.