O exemplo dos “patinhos feios” do Sporting

Domingo de felicidade para os frustrados que sofrem com o sucesso dos portugueses. Ao perder com o Chelsea, José Mourinho desperdiçou uma boa oportunidade de levar o Tottenham a alcançar os “blues” e a zona Champions da Premier. E Cristiano Ronaldo ficou sem o que seria o terceiro título em Itália, pois a Juventus – que joga poucochinho e tem menor rendimento hoje do que no tempo de Allegri – baqueou (outra vez) perante a Lazio.

Já o sábado nos havia trazido o desgosto da derrota do Flamengo e de Jorge Jesus, apesar de os campeões brasileiros terem competido ao mesmo nível da melhor equipa do Mundo e de só não terem conseguido o empate, a um minuto do fim do prolongamento, porque o “dente de leite” Lincoln estava onde não fazia falta. Tivesse sido Gabigol a rematar e…

A propósito de Jesus: o seu sucesso no país irmão começa a ter os efeitos que Mourinho provocou em Inglaterra. Ontem, o Record dava conta do interesse do Santos em Jesualdo Ferreira e da hipótese de José Peseiro vir a treinar o Atlético Mineiro. Isso faz-me recordar os técnicos brasileiros que vieram para Portugal há 65 anos e por cá mudaram para melhor o futebol português. Se a memória não me falha, tudo se iniciou em 1954-55, com Otto Glória a conquistar, para o Benfica, o Campeonato e a Taça de Portugal. Na época seguinte, seria o “intratável” Iustrich a conseguir a primeira “dobradinha” para o FC Porto.

Mas voltemos ao fim de semana, que havia começado mal para a rapaziada que vive da desgraça alheia – com a vitória do Sporting em Portimão. E por uma simples razão: se há equipa desprezada por muitos dos seus adeptos e criticada por quase todos os comentadores, é a do Sporting. No entanto, nem tudo o que parece é e os jogadores de Alvalade responderam agora, de forma soberba, aos que, como eu, acham que muitos deles não têm categoria para vestir a camisola leonina. Afinal, Silas pode ter um tesourinho nas mãos.

A jogar fora, a perder ao intervalo e com menos um em campo – após uma expulsão inacreditável – o Sporting deu a volta ao marcador, recorrendo aos “patinhos (ainda mais) feios” que tinha no banco e, como sempre, ao desempenho sublime do seu capitão. Que exemplo notável de profissionalismo e capacidade de superação! Sim, se o trabalho e o talento comandam a vida, de pouco valeriam se a sorte não fosse procurada com determinação, coragem, sacrifício e um coração enorme. Tudo isso vimos, na agreste noite algarvia, numa dúzia de futebolistas que têm, afinal, categoria para jogar no Sporting. Chapeau!

O último parágrafo vai para Toni Martínez, jogador espanhol do Famalicão, que se desencontrou com um jovem adepto que lhe pedira a camisola. Encontrou-o depois, através do Twitter, e fez dele uma criança feliz. E ao estarmos perante a grotesca atitude de um jogador que “expulsa” um colega de profissão, simulando uma agressão, percebemos melhor a grandeza de homens como Toni Martínez.

Feliz Natal, leitor.

Outra vez segunda-feira, Record, 23dez19

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