Ataque a escolas privadas é de uma violência absurda

Sou a favor tanto da escola pública como da privada, esta última para quem a possa suportar. Acho, por isso, um abuso de utilização dos meus impostos que o Estado subsidie o ensino privado a quem o prefere ao público invocando o direito de escolher mas esquecendo-se do dever de pagar.

Discordo, no entanto, da decisão do Governo de não permitir, de imediato, a abertura de novas turmas de início de ciclo nas escolas privadas que “concorrem” com as públicas. É que não estamos perante uma questão meramente ideológica ou em que o Estado se veja forçado a enfrentar a gula desmesurada do investidor pelo lucro, mas de simples desprezo pelo que devia ser o superior interesse do aluno.

Por exemplo: dizer a uma criança de 11 anos, de uma escola privada, que vai ter já o choque do aumento das disciplinas e das dificuldades ao passar do 6.º para o 7.º ano, que terá de se transferir, dentro de três meses (!), para uma escola pública em muitos casos afastada da casa e do trabalho dos pais, prejudicando assim ainda mais o projecto de vida familiar, não será um acto chocante e cruel?

Se o que acontecia era – era mesmo – um assalto ao erário público, a não aplicação da correcção de forma ponderada, adequada às circunstâncias e que tenha em conta as pessoas é uma violência absurda.

Observador, Sábado, 8JUN16

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