O adeus a um fazedor de campeões e educador cruel

Hoje, não me faltariam temas. Desde logo o Belenenses, que escapa ao último lugar da Liga e que só desce por não ter ganho apenas um dos três jogos que disputou no Restelo com as outras equipas do fundo da tabela: Leixões, V. Setúbal e Olhanense.

Ou também a conquista da Taça de Portugal de futsal, um êxito extraordinário de jogadores, técnicos, dirigentes e adeptos entusiastas, que não se deixaram abater pelo descalabro em que vive o Belenenses – e venceram nada menos que o campeão europeu. O clube está vivo!

Poderia igualmente escrever sobre o Giro, que ontem começou, com estrelas como Evans ou Basso, Sastre ou Vinokourov, Simoni ou Garzelli a prometerem luta empolgante.

Prefiro aproveitar o espaço que me resta para deixar uma palavra pela morte do Padre Miguel, que criou a Juventude Salesiana e treinou inúmeros campeões de hóquei em patins. Fui seu aluno nos Salesianos do Estoril e o fim da vida não faz dele um anjo: como educador foi, até, uma pessoa inflexível e mesmo cruel, mas há muito que lhe tinha perdoado as tareias que me deu – algumas merecidas, todas demasiado violentas – e que “troquei” pelas vantagens do espírito de disciplina que me incutiu. Que descanse em paz.

Passe curto, publicado na edição impressa de Record de 9 maio 2010

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