Nós, os detetives que já não vamos em conversas

Pedro Dias não se encontra em fuga, está apenas escondido, diz quem percebe da poda. Tenho igualmente essa ideia, não por ser entendido na coisa mas pela licenciatura de muitos anos de histórias de polícias e ladrões, e pelo mestrado que os últimos dias me ofereceram, ouvindo as teorias dos especialistas sobre o massacre de Aguiar da Beira e o desaparecimento do pequeno Martim.

Longe vai o tempo em que o Big Brother estava no ovo – não, claro, o programa de La Guilherme, mas o verdadeiro espião que passou a controlar-nos os passos – quando assassínios, assaltos e outros crimes mais ou menos misteriosos eram áreas da estrita esfera policial, deslindados unicamente por quem dispunha de exclusividade para se meter na cabeça dos bandidos.

Vivemos hoje na era do telespectador-detetive e o processamento de dados que a TV nos permite efetuar, na tranquilidade do sofá, colocam-nos na vanguarda da investigação. E como Moita Flores, na insuperável Rua Segura, da CMTV, também eu não acredito que um miúdo de 2 anos incompletos andasse 25 horas por matas repletas de obstáculos, sem comer e sem beber – e de noite, ao frio e à chuva – de chucha na boca e peluche na mão. Já estamos à frente, deixem-se de lérias.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 29OUT16

Partilhar

Os comentários estão fechados.