Neves de Sousa partiu há 20 anos

É referência recorrente nesta página e volta a sê-lo agora, duas décadas decorridas sobre o dia 7 de Julho de 1995, em que José Neves de Sousa nos deixou, aos 64 anos .

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Neves de Sousa com Alexandre Pais: escutando o mestre

O Zé abriu-me, em Fevereiro de 1972, as portas do Diário de Lisboa, então carregado de nomes extraordinários da imprensa portuguesa. Dele colhi não só a oportunidade, mas regras de ouro que ditaram o meu futuro: a pontualidade – ele era sempre o primeiro a chegar, às 7 da manhã! –, a entrega, a humildade para reconhecer os erros, a capacidade para descobrir o que quer o leitor e, em especial, a virtude que faz a diferença: trabalhar mais do que os outros, sem horas para sair ou namoradas à espera.

Como referiu Hernâni Carvalho, na SIC, a propósito de Teresa Pais, o Zé “não tropeçou numa caixa de sorte”, impôs-se pelo talento e por cá ficou – embora ele saiba que às 7 da madrugada comigo não conta.

Neves de Sousa levou Teresa Pais para a entrevista com Sousa Cintra para a Élan, em 1988

Jornalista único: bom em tudo, o Zé era insuperável na reportagem

Neves de Sousa jamais permitiu que a jactância dominante na classe o diminuísse pelo facto de a sua maior especialidade ser o futebol. Bom na escrita e na crónica, a editar e a dar notícias – oh, onde já vai no jornalismo essa mania! –, a entrevistar e a produzir opinião, foi na reportagem que o Zé atingiu um nível insuperável. No Diário de Lisboa, a entrada clandestina na aldeia olímpica de Munique, em 1972, após o atentado terrorista, ou a capacidade, única, para descrever os funerais do toureiro Manuel dos Santos, em 1973, e do ciclista Joaquim Agostinho, em 1984, foram exemplos da sua dimensão como repórter, um repórter extraordinário.

Parece que foi ontem, Sábado, 23JUL15

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