Nesta história do Papa a hipocrisia ajudou à missa

Tive uma educação católica e
serei a última pessoa a não respeitar a fé alheia, seja o que for aquilo em que
cada um acredite. Mas o que temos visto com o novo Papa, a nível de informação,
ultrapassa o razoável.

Quando não havia fumo branco,
foi inacreditável o número de jornalistas que os diversos canais portugueses –
com a RTP à cabeça, claro, que 2013 ainda é ano de forrobodó – puseram na praça
de S. Pedro, a olhar para a chaminé e a proferir banalidades sem fim. Até em
Castel Gandolfo, para onde se retirou o Papa emérito, sobravam repórteres a
apontar para uma janela fechada que todos sabemos que jamais se abrirá…

Esta semana, com a
“entronização”, não se repetiu a quantidade, mas a qualidade continuou deficitária,
fazendo pele de galinha a reverência com que alguns pecadores de capa de
revista se referiam ao Papa, utilizando um palavreado tão bajulador que pôs a
hipocrisia a ajudar à missa.

Que terão sentido os seguidores
de outras religiões? Por certo, o mesmo desconforto que os católicos não
fanáticos. Afinal, o unto é um repelente.

Antena paranóica, publicado na edição impressa do CM de 23 março 2013

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