Nem tudo se publica aqui

Alguns leitores da edição online de Record, e provavelmente “mais” leitores dos sites da concorrência do que do nosso, revelam-se muito agastados pela não publicação de comentários, nos quais, dizem, não utilizam termos insultuosos.

Se se referem ao jornal propriamente dito, devo explicar que temos, nesta altura, cerca de dezena e meia de jornalistas a validar comentários e que, como pessoas diferentes que são, uns têm um critério mais conservador e outros são mais liberais, interpretando provavelmente de forma diversa as instruções da direção e da chefia de redação.

Quanto aos blogs, cada um gere o seu. No meu, são admitidas todas as discordâncas, exceto aquelas que se revestem de clara má-fé, que são indiferentes aos argumentos contrários e que se repetem, e ainda as que procuram classificar o meu trabalho ou a minha maneira de ser.

Para aceitar que me critiquem tenho primeiro que reconhecer ao candidato a crítico capacidade, técnica e intelectual, para o fazer. A condição de leitor de um jornal não dá a ninguém a qualificação necessária, e menos ainda o direito, de avaliar os seus jornalistas, incluindo o diretor. Essa função é da exclusiva competência do proprietário do título. É perante ele que respondo, de mais ninguém.

Os leitores têm só um poder – e que é gigantesco: comprar ou deixar de comprar o jornal, apoiar a sua linha editorial ou recusar contribuir para uma situação da qual, legitimamente, discordam. Por isso, publico neste blog apenas os comentários sobre desporto e os seus agentes, sobre ideias e os seus protagonistas. As acusações de caráter pessoal são recusadas.

Dir-me-ão: mas você pode fazer considerações de caráter profissional, pode criticar dirigentes, jogadores e treinadores, e não quer que o critiquem a si? Acontece que eu tenho essa função profissional, fui contratado para o fazer, disponho de um mandato que me foi conferido pelo acionista. Quem gosta, lê, quem não gosta… lê outros. Os leitores não têm essa formação profissional, não dispõem desse mandato. A sua vocação é ler, debater, participar. O seu modo de rejeitar quem escreve não é criticá-lo publicamente, mas sim… não o ler.

Compreendo que por vezes há leituras que nos irritam, compreendo que por vezes escrevo coisas que irritam muita gente, compreendo que nem sempre sou justo, que nem sempre estou certo, que nem sempre sou feliz nos meus comentários e que o impulso de dar largas à irritação que provoco seja escrever – para desabafar, para repor, para contrapor, para fazer ouvir outra verdade. E daí à nota de cariz pessoal é um pequeno passo, uma tentação irreprimível…

Compreendo isso tudo, mas não estou disponível para jogar esse jogo. Aqui chegado, sei quem sou, o que consegui, o que nunca vou conseguir, o que fiz bem, o que fiz mal, o que quero, qual é o meu caminho. O que pensem de mim, seja o que for, já não me interessa rigorosamente para nada. E deixo aqui, com simpatia, um voto: que cada um dos que fazem o favor de me ler possa já hoje, ou um dia, dizer o mesmo.

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