Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Não quero ser governado pelo dr. Sousa Ribeiro

Os juízes do Tribunal Constitucional entenderam que os cortes permanentes nas pensões, através da contribuição de sustentabilidade – que só sustentaria a Segurança Social até à necessidade de novos roubos – seriam cegos e não uma reforma estrutural equitativa.

Tendo em conta que o Governo se apoia em técnicos, custa a entender como nem políticos nem especialistas na matéria repararam ao menos que as pessoas que se aposentaram depois da reforma de Vieira da Silva, em 2007, além de verem diminuído o valor da pensão, por alteração da forma de cálculo, foram ainda atingidas por um factor de sustentabilidade, e respectivo desconto, que não se alargou às mais antigas. Como se justifica, então, que o Executivo quisesse aplicar a umas e outras, em 2015, cortes idênticos? A explicação está na incompetência e na já conhecida insensibilidade social, que conduziram Passos Coelho a nova derrota.

Dito isto, existe uma realidade e impõe-se uma pergunta. A realidade é que a reforma estrutural da Segurança Social passa pela redução de pensões, simplesmente porque não há dinheiro para as pagar por inteiro. Quanto à pergunta: quem deu aos juízes poderes para decidirem com base não na Constituição mas em discutíveis considerações de natureza política? É que não votei para ser governado pelo dr. Sousa Ribeiro. E acho mau o estilo.

Observador, Sábado, 21AGO14