Não é uma equipa mas um ajuntamento de jogadores

Cheguei ontem a temer o pior quando os israelitas fizeram o 3-1 à seleção portuguesa ou à equipa fantasma que envergava as nossas camisolas, sei lá. E o pior seria, para além da derrota, outra goleada.

Sim, outra, que eu bem me lembro do que aconteceu em Telavive, no primeiro Israel-Portugal, ao final da tarde de 28 de outubro de 1980: um ambiente completamente hostil – havia até soldados a ver o jogo, sentados com a arma a seu lado, e arame farpado (!) nas bancadas –, um vendaval de futebol do onze da casa, que corria até à exaustão, uma lesão de Rodolfo, gravíssima, e um marcador pesado no final, 4-1. 

Não me contaram, eu estava lá. Com o saudoso Carlos Arsénio, aqui do Record, com o grande Fernando Pires, referência do “Diário de Notícias”, com o Joaquim Rita, então em “A Bola” e um dos jornalistas portugueses que mais percebe de futebol, e muitos outros companheiros, sim, que naquela altura não havia internet, nem telemóveis, e a TV a cores tinha meses. As notícias não nos entravam em casa sem licença, como hoje – era preciso ir buscá-las onde elas estivessem.

Não se julgue, por isso, que as más exibições da Seleção são de agora, de antes ou depois de Scolari, não, são de sempre. Porque, em boa verdade, as turmas nacionais não são verdadeiras equipas, mas apenas ajuntamentos de jogadores.

As equipas formam-se treinando muito, criando rotinas e cumplicidades, ganhando o espírito de corpo que permite depois trabalhar e sofrer em conjunto, fazer aquele esforço suplementar que o corpo rejeita e o adversário não espera. Não é reunindo, por breves dias, estrelas milionárias e outras não assim tão estrelas, nem tão milionárias, que se constrói uma equipa ganhadora.

Portugal joga ao sabor da inspiração, da boa vontade e do vento. Ontem, faltou isso tudo e empatámos. Com o segundo do grupo e no seu terreno? Menos mal. Que terça-feira não seja pior – para se respirar de alívio e adeus, até à próxima.

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 23 março 2013

Cheguei ontem a temer o pior quando os israelitas fizeram o 3-1 à seleção portuguesa ou à equipa fantasma que envergava as nossas camisolas, sei lá. E o pior seria, para além da derrota, outra goleada.
Sim, outra, que eu bem me lembro do que aconteceu em Telavive, no primeiro Israel-Portugal, ao final da tarde de 28 de outubro de 1980: um ambiente completamente hostil – havia até soldados a ver o jogo, sentados com a arma a seu lado, e arame farpado (!) nas bancadas –, um vendaval de futebol do onze da casa, que corria até à exaustão, uma lesão de Rodolfo, gravíssima, e um marcador pesado no final, 4-1. 
Não me contaram, eu estava lá. Com o saudoso Carlos Arsénio, aqui do Record, com o grande Fernando Pires, referência do “Diário de Notícias”, com o Joaquim Rita, então em “A Bola” e um dos jornalistas portugueses que mais percebe de futebol, e muitos outros companheiros, sim, que naquela altura não havia internet, nem telemóveis, e a TV a cores tinha meses. As notícias não nos entravam em casa sem licença, como hoje – era preciso ir buscá-las onde elas estivessem.
Não se julgue, por isso, que as más exibições da Seleção Nacional são de agora, de antes ou depois de Scolari, não, são de sempre. Porque, em boa verdade, as turmas nacionais não são verdadeiras equipas, mas apenas ajuntamentos de jogadores.
As equipas formam-se treinando muito, criando rotinas e cumplicidades, ganhando o espírito de corpo que permite depois trabalhar e sofrer em conjunto, fazer aquele esforço suplementar que o corpo rejeita e o adversário não espera. Não é reunindo, por breves dias, estrelas milionárias e outras não assim tão estrelas, nem tão milionárias, que se constrói uma equipa ganhadora.
Portugal joga ao sabor da inspiração, da boa vontade e do vento. Ontem, faltou isso tudo e empatámos. Com o segundo do grupo e no seu terreno? Menos mal. Que terça-feira não seja pior – para se respirar de alívio e adeus, até à próx

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