Não é o meu “segundo clube” mas é o Benfica e isso basta

Um leitor deste blog fez o comentário que se segue, deixando uma insinuação como se de realidade se tratasse. Como faz um comentário pessoal, poderia não o ter publicado, mas faço-o apenas para lhe dar uma resposta. Vamos por partes, este é o comentário:

“O clube de coração do sr. Alexandre Pais viu a sua descida consumada. É normal que neste momento não esteja com vontade de falar de futebol nacional.

Mas eu, se não me engano, na revista especial do centenário do SL Benfica, o sr. Alexandre disse que o seu segundo clube é o SL Benfica. Então alegre-se, que esta época ainda temos o campeonato para festejar :)”

E esta é a resposta:

Como o meu cartão de sócio de 54 anos, a condição de antigo atleta do clube e quatro anos (e 200 edições!) como diretor do “Jornal do Belenenses” não podem deixar dúvidas quanto à minha simpatia clubística, há leitores que tentam agora, através da procura de um “segundo clube”, conotar-me ora com o Benfica, ora com o Sporting.

Este leitor, jorgen80, aproveita até para referir um texto meu, de há seis anos, a abrir a revista com que Record assinalou os 100 anos do Benfica, texto em que terei escrito que “o meu segundo clube é o SL Benfica”. Não escrevi, obviamente.

O que fiz foi enaltecer a importância do despertar da grandeza do futebol encarnado num país pobre e ignorado. E salientar o impacto que em mim tiveram êxitos desportivos de que julgava arredados os clubes portugueses. E rebuscar ainda nos confins da memória, o primeiro jogo a que assisti, no dealbar da década de 50, um Benfica-Estoril, no Campo das Amoreiras, em Lisboa.

Poderia, com a mesma emoção e destacando outras recordações, escrever um artigo semelhante sobre o Sporting, clube da minha mulher, das minhas filhas mais novas (as mais velhas são também do Belenenses), do meu sogro e de um dos meus dois tios (o outro, o que me levou às Amoreiras, era do Benfica); sobre o FC Porto, que desde cedo me marcou, ainda nas Salésias, com as homenagens a Pepe; sobre o Vitória de Setúbal, em cujo campo vi inúmeros jogos nos tempos gloriosos dos manos Graça, de JJ e de Conceição; ou sobre o Atlético, o “segundo clube” de Matateu e “representado”, na redação de Record pelo Luís Avelãs, que está aqui mesmo agora a passar por mim…

Quanto à descida de divisão do Belenenses, quero só acrescentar que tenho seis décadas de futebol em cima e há muito que não me deixo levar por paixões. E se escrever é a minha profissão, era o que faltava que algum episódio desportivo, fosse ele qual fosse, me fizesse ter menos vontade de escrever.

E para que não restem dúvidas sobre o que de facto escrevi em 2004, aqui lhes deixo a página em causa da revista do Centenário, com a renovada vénia ao Benfica. E pela qual me fico.

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