Moinhos: uma velha glória do Benfica em dificuldade

Projecto Solidariedade

Moinhos

19.10.2010

15.00h

Convento Corpus Christi

O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol vai entregar, na terça-feira, dia 19 de Outubro, um cheque no valor de 5 mil euros ao antigo internacional português Moinhos. Em situação de inactividade profissional e com problemas de saúde que se arrastam há demasiado tempo, o antigo jogador do Benfica, Boavista, Vilanovense e Sporting de Espinho, será lembrado pelo Sindicato, pelos bons serviços prestados ao futebol e pela imagem positiva do seu talento.

A entrega deste valor, que se insere em mais uma iniciativa do Projecto Solidariedade do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, decorrerá, no Convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, Largo da Aljubarrota 13, pelas 15 horas.

Na cerimónia, estarão presentes alguns dos jogadores contemporâneos de Moinhos, nos clubes e selecção, assim como jogadores da actualidade e ainda  João Vieira Pinto, na sua qualidade de vice-presidente do SJPF. Também se aguarda a presença de Luis Filipe Meneses, presidente da Câmara Municipal de Gaia.

O SJPF espera a comparência dos órgãos de comunicação social, para se associarem a uma iniciativa solidária e de reconhecimento do valor humano e desportivo de um dos maiores talentos do futebol português na década de setenta.

Simplesmente Moinhos

 Uma das obrigações do Sindicato dos Jogadores Profissionais do Futebol é ser uma espécie memória activa dos antigos praticantes, que se tenham distinguido, ou pela sua qualidade desportiva, humana ou social. A homenagem que se realiza é um auxiliar dessa memória. Porque é impossível escapar à recordação das grandes jogadas de Moinhos, um extremo-esquerdo fino, elegante e desiquilibrador.

Os mais jovens talvez não saibam quem é Moinhos, um homem bom, sério e de carácter. Os mais velhos têm a obrigação de saber o que significa Moinhos para o futebol português. Porque o viram jogar, pelo Benfica, pelo Boavista e pela selecção nacional. Porque se recordarão das corridas imparáveis de Moinhos – uma espécie de traço contínuo de jogo, pelo flanco esquerdo -, das suas arrancadas, dos seus dribles e até dos seus golos.

Um futebol abundante, mágico e ofensivo que foi contemporâneo de outros grandes jogadores, de outras grandes equipas. No Benfica, realizou quatro épocas, ganhou três campeonatos, completou 96 jogos e marcou 26 golos. Durante os anos dourados da sua carreira, Moinhos foi sete vezes internacional.

Tendo nascido a 13 de Maio, dia da Nossa Senhora de Fátima, no ano da graça de 1949, Mário Jorge Moinhos de Matos foi tocado pelo milagre da diligência e do talento. Começou no Vilanovense, clube de Vila Nova de Gaia, foi contratado pelo Boavista e após o Benfica, ainda jogou pelo Sporting de Espinho.

Não era, nunca foi, um talento convencional. Magro, de carnes secas, Moinhos era um jogador que desaparafusava facilmente as defesas contrárias. No Benfica, em quatro anos, conheceu vários treinadores e com quase todos eles foi campeão e titular. Jimmy Hagan, Fernando Cabrita, Miroslav Pavic e ainda John Mortimore. Numa época de claro predomínio benfiquista no campeonato português, Moinhos era um dos jogadores de talento mais afirmado no luxuoso plantel benfiquista, de que faziam parte jogadores como Eusébio, Nené, Artur Jorge, Vítor Baptista, Jordão, Diamantino, Ibraim, Móia, Nélinho, Chalana, José Pedro, José Domingos e Cavungi.

Por entre tantas estrelas do firmamento futebolístico nacional, Moinhos, na época de 75/76, viria a ser o jogador mais utilizado do Benfica campeão de Mário Wilson. Também, nesta altura, começou a ser convocado para a selecção nacional, onde se destacou.

Trata-se, por isso, de um nome incontornável do Benfica, da selecção nacional, do futebol português. Um nome que deve ser recordado. A quem o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol não podia virar as costas, bastando o espúrio esquecimento a que tem sido exposto o seu sofrimento, contra uma doença que o atinge e que mina a sua relação com a vida.

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