Ministros e secretários andam a falar de mais

António Costa é um político da classe “supella longipalpa”, a resistente barata doméstica, de origem africana, que só morre de fome depois de comer as próprias patas. Hábil e arguto, ele sabe que Passos Coelho perdeu as eleições que ganhou por ter falhado na comunicação – e ainda hoje não adotou o discurso adequado à sua atual condição – e desdobra-se nas televisões, nos jornais e até nas redes sociais, em entrevistas e esclarecimentos. Mesmo para o que pareça não haver, Costa arranja explicação.

Mas essa dinâmica imparável contagia os ministros, que vivem igualmente no afã do palavreado. O robusto secretário Rocha Andrade, por exemplo, mira-se a toda a hora no espelho televisivo, dando sentenças como se mandasse nisto tudo. E em plena descoordenação, o ministro Pedro Marques garante à SIC que o Executivo não se envolveu na polémica dos voos de e para o Porto que a TAP cancelou, para logo surgir o seu colega Manuel Caldeira Cabral a jurar o contrário. Aliás, interveio com uma declaração mortal para um académico: “Sim, o Governo ‘interviu’”.

Moral da história: as baratas tontas afogam-se depressa no mar da verborreia desconchavada. Ou Costa lhes fecha a caixa ou vai pagar, além do resto, também por isso.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 20FEV16

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