Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Melhor do que falecer só viver

Desde que a publicidade fez deles homens ricos, os Gato Fedorento desapareceram das nossas casas. Aliás, só se deixam ver praticamente através do Meo isto, Meo aquilo, mantendo um vazio na sociedade portuguesa, apesar do seu espaço ter sido preenchido, com maior, menor ou nenhum talento, pela geração espontânea de humoristas e candidatos à coisa que a sua “renúncia” promoveu.

Saúda-se, por isso, o regresso de Ricardo Araújo Pereira à TV, até porque nos traz um trabalho de elevado nível. “Melhor do que falecer” é uma mistura de graça surreal, crítica de costumes e sátira política, uma pérola de ironia fina que nos “devolve” também as qualidades histriónicas do Ricardo, apoiado, desta vez, por um ator seguro, com escola, um superdotado, quase um mestre: Miguel Guilherme, chapeau!

Como se não bastasse, a transmissão do programa em horário nobre – com mais de um milhão de telespectadores – prova, para mais na TVI, estação em que não falta oferta “popular”, que as grandes audiências não são atraídas apenas por novelas, futebol e boçalidade.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 26ABR14